4 Fazendo quimioterapia

Durante essa nova etapa de sua vida, estaremos à disposição para lhe ajudar no que for necessário.
Esse material não pretende substituir o diálogo com seu médico ou com a equipe de enfermagem, mas oferecer subsídios para uma participação mais efetiva sua e de seus familiares no processo terapêutico.

Durante o tratamento você fará vários exames que mostrarão como seu organismo está reagindo, se recuperando a cada aplicação da quimioterapia.
Em caso de dúvida ou mal-estar, comunique-se com seu médico ou enfermeiro, eles lhe orientarão.
O tratamento quimioterápico é um aliado na sua meta de viver mais e melhor. É importante saber que com os modernos medicamentos os efeitos colaterais estão minimizados, o que deve servir de incentivo para a continuação de sua caminhada.

Lembre-se: fazer comparações com outros pacientes, não é esclarecedor. Na maioria das vezes confunde. Ainda que os medicamentos sejam iguais, cada pessoa tem sua história e reage individualmente!
Lembre-se: seu médico conhece o suficiente sobre seu caso para esclarecer-lhe e discuti-lo com você. Ele irá propor um tratamento adequado á sua história clínica, sua idade, seu estado geral de saúde, sua doença e outros fatores individuais.

4.1 No dia do tratamento

  • Não marque compromissos inadiáveis;
  • Não venha em jejum (faça uma refeição leve em casa);
  • Não há restrições alimentares, exceto se você já faz alguma dieta específica. Evite frituras, alimentos gordurosos e extremamente temperados;
  • Procure ingerir de 6 a 8 copos de líquidos por dia;
  • Algumas das medicações utilizadas previamente à quimioterapia podem causar sonolência ou diminuição dos reflexos, por isso, procure não dirigir no dia da aplicação da quimioterapia;
  • Procure estar vestido e calçado de forma confortável;
  • Mantenha seu celular desligado ou com a campanhia baixa ou programado para vibrar. Procure relaxar!

4.2 Efeitos adversos da quimioterapia

Como a quimioterapia atua destruindo as células de rápida multiplicação, ela atinge principalmente as células tumorais, mas também  as que constituem a medula óssea (responsáveis pela produção dos elementos que constituem o sangue); mucosas (células que revestem o trato gastro-intestinal) e folículos pilosos (pelo cabelo).

Dessa ação resultam os principais efeitos colaterais da quimioterapia como a anemia (diminuição dos glóbulos vermelhos do sangue); leucopenia (diminuição dos glóbulos brancos do sangue); mucosite (aftas) e a alopecia (queda dos cabelos).

Esses efeitos são reversíveis em sua maioria, pois as células normais voltam a se multiplicar e desempenhar suas funções habituais ao término do efeito da quimioterapia.
Os efeitos colaterais que poderão ocorrer dependerão de cada pessoa. Na maioria das vezes são passageiros e podem ser evitados ou tratados.

4.2.1 Náuseas e/ou vômitos

Sua ocorrência depende do tipo de medicamento, da dosagem recebida e da pré disposição individual. Antes da quimioterapia administraremos medicamentos que previnem ou diminuem esses sintomas. Se for necessário seu médico receitará medicamentos para você tomar após o tratamento quimioterápico, em sua casa. Procure:

  • Alimentar-se nos horários em que esteja com menos enjôo. Não force a alimentação se já estiver nauseado. Nesse caso use a medicação para enjôo prescrita e aguarde seu efeito (15 a 30 minutos);
  • Fracionar sua dieta. Coma pequenas porções mais vezes ao dia;
  • Comer devagar e mastigar bem os alimentos;
  • Evitar a ingesta de líquidos durante as refeições. Dê preferência a sucos naturais sem açúcar;
  • Não deitar-se após as refeições (1 hora);
  • Não ficar muito tempo com o estômago vazio;
  • Dar preferência a alimentos frios e gelados como iogurtes, gelatinas, sorvetes e picolés de frutas, por exemplo.

4.2.2 Mucosite (feridas na boca)

alguns medicamentos podem causar dor e às vezes o aparecimento de “feridas” ou “aftas” na boca. É importante informar seu médico ou a equipe de enfermagem para que você receba orientações específicas e a mucosa da boca se recupere. A prevenção é o melhor remédio. Procure:

  • Manter uma boa higiene oral;
  • Usar escovas de dente macias;
  • Higienizar adequadamente as próteses dentárias;
  • Rvitar a ingesta de bebidas alcoólicas, alimentos condimentados, enlatados, com corantes, conservantes e ácidos;
  • Dar preferência a alimentos com sabor suave e servidos a temperatura ambiente.

4.2.3 Constipação (prisão de ventre)

Alguns dos medicamentos usados durante o seu tratamento podem causar constipação. Este problema pode ocorrer também se sua dieta é pobre em líquidos e fibras ou quando você fica a maior parte do tempo acamado. Procure:

  • Beber de 6 a 8 copos de líquidos por dia;
  • Consumir alimentos ricos em fibras. Dê preferência às frutas, verduras e legumes crus;
  • Fazer caminhadas ou outro exercício físico, conforme liberação médica e sua disposição;
  • Usar medicação laxativa, conforme orientação médica;
  • Temperar as saladas com óleo vegetal;
  • Não deixar a constipação persistir por mais de 2 dias.

4.2.4 Diarréia

A diarréia pode ter várias causas. As diarréias prolongadas ou intensas podem causar desidratação. Faça contato com seu médico ou com a equipe de enfermagem se apresentar 3 ou mais episódios de evacuações líquidas em 12 horas. Muitas coisas afetam seu apetite, inclusive o mal estar e a ansiedade/depressão por toda situação vivenciada. Procure:

  • Fracionar a alimentação;
  • Utilizar temperos diferentes;
  • Não tomar líquidos durante as refeições;
  • Ter preparações prontas na geladeira;
  • Sempre que possível, peça alguém para elaborar/preparar suas refeições.

4.2.5 Febre

Os leucócitos (glóbulos brancos) são responsáveis pela defesa do organismo. Quando o número de leucócitos está muito baixo há o risco de infecções. A febre é um sinal de possível infecção. Quando você achar que está com febre, verifique com termômetro e comunique a seu médico ou a equipe de enfermagem se a temperatura for maior que 38 C. Procure:

  • Evitar locais pouco ventilados ou com aglomerado de pessoas;
  • Evitar contato com pessoas que estejam com doenças contagiosas (resfriados, gripes, sarampo, rubéola…).

4.2.6 Alterações sexuais

A quimioterapia pode causar danos às células germinativas presentes nos ovários e testículos, determinando a esterilidade transitória ou permanente, com as alterações hormonais correspondentes, tanto no homem como na mulher. Na mulher pode ocorrer a suspensão da menstruação (amenorréia), podendo evoluir para a menopausa, com a manifestação de todos os seus sintomas.

Já nos homens essas alterações determinam mínimos sintomas.

As alterações vaginais exigem cuidados especiais. Em pacientes com vida sexual ativa, o uso do gel lubrificante (solúvel em água) pode corrigir a secura vaginal, que dificulta a relação sexual. Havendo dor, sangramento ou prurido vaginal informe seu médico.

A gravidez deve ser evitada durante a quimioterapia e ás vezes posteriormente ao tratamento. Converse com seu médico sobre a melhor forma de contracepção para o seu caso. Se você deseja ter filhos, discuta com seu médico sobre a viabilidade e as indicações das novidades tecnológicas como armazenamento de espermatozóides e óvulos.

O desejo sexual pode diminuir. Isso pode ser causado pelo estresse do diagnóstico, associado à diminuição da disposição física determinada pela doença e/ou pelo tratamento.

4.2.7 Alopécia (queda do cabelo)

A queda do cabelo pode ocorrer total ou parcialmente, dependendo do tipo e dosagem dos quimioterápicos usados no tratamento.

Quando ocorre, inicia, em média, 3 semanas após o início da quimioterapia e é temporário!
Em alguns casos pode haver a queda de pelos dos órgãos genitais, sobrancelhas e cílios.
O couro cabeludo pode tornar-se mais sensível antes da queda.
Ficar sem os cabelos, ainda que temporariamente, é uma mudança muitas vezes de difícil aceitação e exigirá alguns ajustes, inclusive de ordem prática, que você poderá adotar para lidar com essa fase do tratamento:

  • Corte seus cabelos. Cabelos curtos pesam menos, podendo levar mais tempo para cair e você vai se acostumando com sua nova imagem;
  • Use shampoo neutro, para evitar ressecamento do cabelo e do couro cabeludo;
  • Seque a cabeça com toalha macia, sem esfregar;
  • Evite o uso do secador;
  • Providencie alguns acessórios como chapéus, turbantes, perucas e lenços para usá-los tão logo precise ou queira;
  • Se o couro cabeludo estiver sensível ou ressecado passe um hidratante neutro e protetor solar;
  • Novos cabelos poderão nascer e cair durante o tratamento, não se assuste!
  • A queda do cabelo cessa após o término tratamento e leva alguns meses para a recuperação completa. Eles poderão nascer com textura e coloração diferentes;

Lembre-se que a alopecia é temporária. Desvie o foco de sua atenção para outros detalhes, caprichando na sua maquiagem, bijuterias, etc… Invista na sua auto-estima!

4.3 Dicas para o dia-a-dia

  • Cada indivíduo reage de maneira única à quimioterapia;
  • Reconheça e respeite seus limites, evitando atividades que provoquem maior desgaste, especialmente nos primeiros dias após a quimioterapia;
  • Adapte os compromissos profissionais e sociais ao tratamento, reservando os dias subseqüentes a quimioterapia para repouso;
  • As viagens devem ser planejadas considerando o calendário de tratamento, converse com seu médico sobre a melhor época para realizá-las.