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A importância do dentista durante o tratamento do câncer

Material escrito por:
Clínica Soma
A importância do dentista durante o tratamento do câncer

Muitas pessoas não sabem, mas o trabalho do dentista é fundamental para o tratamento contra o câncer. Inclusive, a atuação desse profissional ajuda a prevenir alterações em cavidade oral muito frequentes em pacientes submetidos à quimio, radio, hormonioterapia e até mesmo no transplante de medula óssea.

Mas, qual é a relação do dentista e o tratamento do câncer? Saiba a resposta no artigo de hoje!As complicações bucais em pacientes oncológicos.

A cada ano, mais de 12 milhões de pessoas no mundo são diagnosticadas com câncer. Só no Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) registra cerca de 600 mil novos casos da doença, isso só contando o ano de 2020.

Embora o número alto, o câncer tem sido uma das doenças mais tratáveis dos últimos anos, com boas taxas de remissão e cura, especialmente quando o tratamento é feito logo nos estágios iniciais da doença.

As terapias são individualizadas e seguem diferentes abordagens. Em muitos casos, é necessário combinar mais de um método para tratar o paciente. O maior desafio, entretanto, é encontrar uma maneira de diminuir os efeitos colaterais dos tratamentos.

Uma das principais consequências é o dano à saúde bucal dos pacientes com câncer. Por isso, é preciso orientar um atendimento de odontologia oncológica antes de iniciar a abordagem terapêutica. A maioria dos pacientes já possuem o seu dentista porém  o dentista com experiência em pacientes oncológicos é o profissional indicado  para realizar esse atendimento durante essa fase.

Entre as principais complicações enfrentadas pelos pacientes oncológicos em relação à saúde bucal, destacam-se:

Mucosite oral

mucosite oral é uma complicação aguda decorrente da toxicidade da quimioterapia e da radioterapia em região de cabeça e pescoço.

A principal característica desse efeito colateral é a dor decorrente de ulcerações, feridas que podem ocorrer em boca e orofaringe, muitas vezes impossibilitando a alimentação, hidratação, mastigação e a fala do paciente podendo evoluir para infecções e a interrupção do tratamento oncológico até a resolução desse quadro agudo.

Os pacientes devem ser avaliados preferencialmente antes de iniciar o seu tratamento pois fatores como má higiene oral, fraturas dentais, aparelhos ortodônticos, próteses mal adaptadas podem aumentar a chance de desenvolver a mucosite oral.

Xerostomia (boca seca)

xerostomia é o sintoma de secura bucal relatado pelo paciente. É um efeito adverso bastante comum em pacientes com câncer na região da cabeça e pescoço que estão realizando radioterapia na região mas pode atingir qualquer um que esteja em tratamento por quimioterapia.

A complicação é caracterizada pela sensação de boca extremamente seca, pois há uma diminuição na quantidade e qualidade de saliva. Isso pode interferir na alimentação do paciente, além de aumentar o risco de infecções por bactérias e fungos.

Cárie de radiação

cárie de radiação é um efeito adverso tardio que ocorre nos pacientes submetidos a radioterapia em região de cabeça e pescoço. É uma doença multifatorial que inclui alteração na estrutura dental, diminuição  da quantidade e qualidade salivar, alteração do pH, higiene deficiente, dieta cariogênica entre outras. A cárie de radiação pode evoluir de maneira rápida e agressiva levando muitas vezes a sintomatologia dolorosa, perda dental e infecções na região.

Osteorradionecrose

Necrose óssea provocada pela radioterapia. Após a realização da radioterapia em região de cabeça e pescoço muitas alterações ósseas, vascularização e cicatrização ficam comprometidas. Por isso, após a radioterapia NÃO SE DEVE REALIZAR PROCEDIMENTOS ODONTOLÓGICOS COM INVASÃO ÓSSEA, como extrações dentais, implantes, enxertos, entre outros. Assim, todos os procedimentos que envolva cirurgia óssea deve ser realizado ANTES da radioterapia e esperar o tempo da cicatrização para iniciar a radioterapia. O fumo, consumo de álcool e as próteses mal adaptadas também devem ser evitados pois  também  podem provocar essa complicação.

Osteonecrose Medicamentosa

Existem algumas drogas prescritas para metástases ósseas, osteopenia ou osteoporose que podem provocar a necrose óssea se houver procedimento odontológico invasivo. Medicações antiangiogênicas, antirreabsortivas e corticoides em alta dose também estão entre as medicações que podem induzir essa complicação. Por isso, diante da prescrição dessas medicações, seguem as mesmas orientações dadas para o caso de osteorradionecrose, ou seja, todo procedimento odontológico com manipulação óssea deve ser realizado antes do uso dessas medicações.

Como é o tratamento odontológicos dos pacientes com câncer?

Para amenizar os problemas bucais causados nos tratamentos contra o câncer, é indicado que o paciente já inicie um acompanhamento com o dentista oncológico, antes mesmo de ser submetido às terapias.

Normalmente, os Cirurgiões dentistas irão realizar uma consulta inicial e um exame exame físico e quando necessário  exames de imagens serão  solicitados para o planejamento odontológico. É indicado que antes do paciente iniciar o tratamento oncológico seja feita a remoção de possíveis focos de infecção, como profilaxia, restaurações de lesões cariosas, exodontias, tratamentos de canal. Esses procedimentos são realizados  para evitar infecções ou complicações infecciosas durante o tratamento antineoplásico porém quando não possível realizar antes o dentista deve saber o momento oportuno de abordar e intervir de acordo com o esquema quimioterápico, dose e campo de radiação, hemograma e condição clínica do paciente.

O cirurgião dentista também irá orientar quanto a necessidade de boa alimentação evitando alguns alimentos cítricos e ácidos ter uma boa ingestão de líquidos, utilizar a crioterapia quando indicada para minimizar as chances de mucosite oral e orofaríngeo.

No tocante à higiene bucal, recomenda-se que os pacientes oncológicos deem preferência às escovas extra macias e produtos enzimáticos como pastas dentais e enxaguatórios bucais, sendo esses menos abrasivos as mucosas.

Quanto ao sintoma de secura bucal, a xerostomia, os pacientes podem fazer uso de substitutos salivares, como as salivas artificiais, que auxiliam na lubrificação e proteção das mucosas proporcionando mais conforto e auxiliando na mastigação dos alimentos.

Para o tratamento da mucosite oral, a fotobiomodulação (laserterapia) proporciona alivio da sintomatologia dolorosa, reduz a inflamação local e ajuda na rápida epitelização. Porém junto com a laserterapia, medidas locais e sistêmicas são necessárias para um melhor resultado.

O tipo de tratamento dependerá fundamentalmente das condições de cada paciente. Por isso, o acompanhamento é individualizado e feito em conjunto com os oncologistas.

Mas, a carta certa é sempre a prevenção. Por isso, mantenha a sua saúde bucal sempre em dia, tenha uma dieta equilibrada, priorize a ingestão de água e siga às instruções do seu dentista oncológico.

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