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Fatores genéticos e o câncer: entenda essa relação

Material escrito por:
Dr Felipe de Borba Chiaramonte Silva - CRM/SC 14780 – RQE 12324
Fatores genéticos e o câncer: entenda essa relação

Os fatores genéticos e o câncer estão diretamente associados, visto que todos os cânceres são oriundos de alterações genéticas – chamadas de mutações. No entanto, isso não significa que o câncer seja hereditário (que esse risco seja herdado), apenas que os genes sofreram mudanças causando o surgimento de um tumor maligno.

De acordo com informações do Instituto Nacional do Câncer (INCA), são raros os casos de cânceres hereditários, ou seja, câncer cuja principal causa é um traço genético germinativo (presente em todas as células do corpo desde o nascimento) que aumenta o risco daquele indivíduo desenvolver câncer durante a vida. Uma das indicações de que o câncer pode ser hereditário é quando o indivíduo tem vários familiares que tem ou que já tiveram câncer.

Por esse motivo, pessoas com histórico familiar de câncer precisam ficar de olho nos fatores genéticos, já que a identificação destas famílias com Síndromes de Predisposição ao Câncer Hereditário pode permitir a prevenção da doença.

No artigo de hoje, entenda mais sobre a relação dos fatores genéticos e o câncer e saiba como se prevenir. Acompanhe a leitura!

O câncer é uma doença genética?

Importante ressaltar que ao tratar dos fatores genéticos e o câncer não estamos nos referindo apenas às questões de hereditariedade. Afinal de contas, o câncer é sempre resultado de uma alteração genética, por isso, é sim uma doença genética, mas não necessariamente hereditária.

Como foi dito anteriormente, o câncer é resultado de uma mutação no DNA. Essas mutações podem ocorrer na linhagem germinativa (já nasceu com o indivíduo) e que podem ser transmitidas para a próxima geração (o chamado câncer hereditário, 5-10% dos casos de câncer), ou essas mutações podem ser adquiridas durante a vida como resultado de erros que ocorrem quando as células se dividem pelo próprio processo de envelhecimento ou da exposição a substâncias cancerígenas que danificam o DNA (como certos produtos químicos na fumaça do tabaco ou como os raios ultravioleta do Sol) e neste caso não são transmitidas para a próxima geração (chamado de câncer esporádico, 90-95% dos casos).

Para compreender melhor a relação dos fatores genéticos e o câncer, vale a pena relembrar alguns conceitos básicos de biologia. Sabe-se que o DNA de cada célula humana tem mais de 22.000 genes que são os responsáveis por fornecer a informação genética dos seres vivos. Quando ocorre um acúmulo de mutações (erros) no DNA, há o surgimento de uma célula cancerígena.

Mas, como essas mutações resultam no câncer?

Apenas uma única mutação não leva ao desenvolvimento do câncer, mas quando há o acúmulo de mutações, as chances da doença surgir são maiores.

Os genes que desempenham uma papel importante no câncer são divididos em três classes principais:

  • Proto-oncogenes;
  • Genes supressores tumorais;
  • Genes de reparo do DNA.

A seguir, confira as especificações de cada deles, bem como a relação dos fatores genéticos e o câncer.

Proto-oncogenes

Os proto-oncogenes são responsáveis pela multiplicação e divisão das células. Desse modo, quando eles estão ativos, há uma significativa taxa de crescimento celular.

Quando um um proto-oncogene sofre uma mutação tornando-se um oncogene, o gene fica permanentemente ativo fazendo com que a célula se prolifere de forma desordenada dando origem à carcinogênese (processo de formação do câncer).

Genes supressores tumorais

Já os genes supressores tumorais atuam na regulação da multiplicação celular. No caso de mutação em um gene dessa classe, as células não compreendem mais que devem parar de crescer e, diante disso, se dividem de forma descontrolada, também resultando no câncer.

Genes de reparo de DNA

Os genes de reparo de DNA corrigem imediatamente qualquer dano causado na sequência de nucleotídeos. Entretanto, quando essa classe sofre alguma mutação, a célula perde a capacidade de se corrigir e pode dar origem a um tumor.

Como saber se meu câncer é hereditário e se a minha família tem maior risco de desenvolver câncer?

Alguns fatores podem indicar maior chance do seu câncer ser hereditário, por exemplo quando há a presença de alguma das características abaixo:

1)     Muitos casos de câncer na família

2)     Câncer que acomete várias gerações (avô, pai e filho)

3)     Câncer que acontece em idade jovem

4)     Câncer bilateral (acomete as duas mamas, os dois rins, por exemplo)

5)     Câncer ocorrendo no sexo geralmente não afetado (como câncer de mama em um homem)

6)     Tumores raros

Se você faz parte de algum desses grupos, é importante questionar o seu médico oncologista se você pode ter alguma síndrome de predisposição ao câncer hereditário. Passar em uma avaliação com um médico com um médico geneticista é fundamental para determinar se você deve realizar algum teste genético, qual o melhor teste para o seu caso e para orientar como um teste pode ajudar no manejo do seu risco e da sua família.

Por que as pessoas com Síndromes de Predisposição ao câncer hereditário tem mais chances de desenvolverem um câncer?

As mutações genéticas germinativas (aquelas que já nascem com o indivíduo e que possivelmente foram herdadas do pai ou da mãe) aumentam a probabilidade de uma pessoa desenvolver câncer durante a vida, porque neste caso o indivíduo já nasce com uma alteração genética que facilita o processo de carcinogênese.

Hoje em dia, com o avanço da ciência, é mais fácil compreender os fatores genéticos associados ao câncer, permitindo o controle da doença através de acompanhamentos personalizados, além de iniciativas de prevenção.

Como prevenir o câncer hereditário?

Mesmo que você tenha alguma síndrome de predisposição ao câncer, isso não quer dizer que a doença irá aparecer, mas apenas que esse fator genético aumenta o seu risco para o desenvolvimento do câncer. Identificar os indivíduos que tem um risco hereditário aumentado de desenvolver câncer pode permitir ao médico estabelecer estratégias e planos para diminuir o risco daquela pessoa, seja através de cirurgias redutoras de risco, de exames de seguimento e às vezes até através do uso de alguns medicamentos que reduzem esse risco.

Infelizmente, nem sempre é possível evitar o surgimento do câncer, mas permitir a identificação precoce de um tumor melhora as chances de cura!

Além disso, levar um estilo de vida saudável é extremamente importante, evitando-se o uso de álcool e outras drogas, adotando hábitos alimentares saudáveis e praticando alguma atividade física.

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