O que é a esclerose múltipla?


Publicado em 30/08/2019

O que é a esclerose múltipla?

A esclerose múltipla é uma doença autoimune, onde as células de defesa atacam o sistema nervoso central, desencadeando lesões medulares e cerebrais. 

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De caráter crônico, a esclerose múltipla é uma doença neurológica que atinge jovens entre 20 e 40 anos. Segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM), é constatado que cerca de 35 mil brasileiros convivem com doença, atualmente.

No dia 30 de agosto, é comemorado o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla e em nome dessa causa, preparamos um artigo bastante informativo sobre o tema. Confira:

Esclerose múltipla: como essa doença se desenvolve?

Na esclerose múltipla, as células de defesa do organismo passam a atacá-lo por meio de inflamações severas. Assim, atingem a bainha de mielina, uma proteção dos prolongamentos dos neurônios, chamados axônios, que por sua vez, estão responsáveis por levar os impulsos elétricos ao sistema nervoso central e ao restante do organismo.

Por isso, em decorrência dessas inflamações, algumas funções acabam sendo prejudicadas, como as referentes ao cerebelo, cérebro, medula espinhal e tronco encefálico. É a partir dessas alterações que os principais sintomas surgem.

Sintomas da esclerose múltipla

É possível que quando as áreas de mielina sofrem as lesões, não deixem sintomas e causem apenas um dano temporário. No entanto, quando o quadro é mais grave, acabam por manifestar alguns sintomas, que exigem tratamento imediato. Veja como se dão essas manifestações:

Problemas no intestino e bexiga

Em decorrência da doença, as mensagens entre o cérebro e a bexiga podem ser afetadas. Caso isso ocorra, a extrema urgência em ir ao banheiro, assim como o bloqueio de realizar as necessidades fisiológicas podem surgir como manifestações da doença.

Fadiga

A fadiga, decorrente da esclerose múltipla, pode ser primária ou secundária. Ou seja, a fadiga primária é um efeito comum que desencadeia a sensação de esgotamento físico ou mental, que se dá pelo dano à mielina. 

Já a fadiga secundária ocorre quando o organismo compensa alguns sintomas, como dor e espasmos, e, consequentemente, pode levar ao quadro de insônia.

É importante considerar que o cansaço pode vir em períodos mais intensos, seguidos de picos de maior energia ou apresentar-se de forma constante.

Ataxia

A perda da coordenação ou desequilíbrio, chamada de ataxia, se dá pelas alterações cerebrais, principalmente pelo dano ao cerebelo. Quando isso acontece, o paciente pode sentir dificuldade em caminhar ou manter-se muito tempo em pé.

Tremor e espasmos

O tremor e os espasmos podem surgir de forma lenta ou rapidamente, dependendo do caso. Geralmente, os temores acontecem na cabeça, membros inferiores e superiores. Já os espasmos, contrações involuntárias de um músculo, ocorrem nos braços e pernas.

Alterações na fala

Dependendo da lesão cerebral, a expressão da linguagem pode ser afetada, sendo de caráter leve ou gravíssimo. 

Na maioria das vezes, as alterações na fala acontecem quando a doença já está num estágio mais avançado. Além da fala se tornar mais fraca, a falta de compreensão pela conversa ou mesmo pausas longas ao dialogar podem ser experienciadas.

Sensibilidade alterada

Os distúrbios sensoriais são uma consequência da esclerose múltipla, como por exemplo: disestesia, ardor, dormência e sensação de alfinetadas.

Alterações cognitivas

Dentre as alterações cognitivas mais comuns afetadas pela esclerose múltipla, estão: memória, atenção e velocidade de processamento de informações.

Fraqueza muscular

Caracterizado como um problema do sistema nervoso, a fraqueza nas pernas pode interferir no equilíbrio e capacidade de caminhar. Nesse caso, a indicação é a prática de exercício físico, para manter o tônus muscular saudável.

Problemas na visão

Alguns pacientes podem desenvolver a perda temporária da visão, pontos cegos ou mesmo sentir dor ao movimentar os olhos. Isso se dá pelas alterações na bainha de mielina que reveste os nervos ópticos e o sistema nervoso central.

Lhermite

Consiste na sensação de choque elétrico, que irradia para as pernas e costas quando flexiona-se o pescoço. É importante considerar que esse não é um sintoma típico para o diagnóstico da esclerose múltipla, embora seja manifestado no quadro da doença.

Intolerância ao calor

Talvez a intolerância ao calor seja um dos incômodos mais comuns no quadro de esclerose múltipla. Isso se dá pelas alterações na mielina, que levam os impulsos nervosos à tensão e por isso, o aumento da temperatura desencadeia uma desaceleração da transmissão nervosa.

É importante considerar que os sintomas da esclerose múltipla variam de pessoa para pessoa. São inúmeros os indícios relacionados à doença, mas quanto antes for diagnosticada e tratada, muitos dos efeitos da doença podem ser evitados.

Mas qual a melhor forma de diagnosticar esclerose múltipla?

Diagnóstico

Para diagnosticar a esclerose múltipla, são considerados exames clínicos e de imagem, juntamente com outros procedimentos de maior especificidade, como o exame de coleta de líquor (LCR: líquido cefalorraquidiano)

Nesse exame, o líquido é extraído por punção na coluna lombar, sendo considerado um procedimento fundamental para confirmação do diagnóstico, em muitos casos. Além disso, a variação dos sintomas também pode exigir outros exames mais aprofundados para a distinção da esclerose múltipla de outros diagnósticos. 

O ideal é procurar ajuda médica logo que notar os sintomas, já que isso é fundamental para alterar o curso natural da doença. Lembre-se que quanto mais cedo inicia-se o tratamento, maiores são as chances de melhoria do quadro.

Tratamento da esclerose múltipla

Existem várias abordagens terapêuticas para tratar a esclerose múltipla, com o objetivo primordial de impedir a progressão e surgimento de novas lesões no sistema nervoso central. Da mesma forma, é fundamental reduzir a ocorrência de surtos e o acúmulo de sequelas, para que as dificuldades neurológicas não sejam de caráter permanente.

Dentre as opções para tratar a doença, destaca-se o tratamento com imunobiológicos, que vem apresentando um avanço considerável para a esclerose múltipla e outras doenças autoimunes. Além disso, é possível complementar o tratamento com outras medicações para amenizar os sintomas e evitar o surgimento de surtos.

Converse com o seu médico para descobrir a melhor combinação de tratamentos para o seu caso, em especial. Lembre-se que o acompanhamento multidisciplinar também é muito importante para o sucesso do tratamento.

Você já conhece os direitos dos pacientes com doenças autoimunes? Leia o artigo e fique por dentro do que é previsto por lei para os portadores das doenças autoimunes.

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